25 junho 2008

Confusión

A única vantagem de ter pilhas e pilhas de livros no chão de uma grande sala à espera que as prateleiras cheguem (eram para vir hoje mas parece que só cá estarão para a semana) são os livros que se encontram e que há muito estavam escondidos.
Deixo um poema de Antonio Nadal, malaguenho, com quem tive o prazer de privar:

Confusión

Serías capaz de amar hoy
un día, este o aquel momento?
Yo sería capaz de no amar,
de olvidar a los muertos,
de desterrarme a mí mismo.
Podría aborrecer
a quien me ama.
Solo la soledad me entiende.

Hoy mejor no verte.
Me molestaría tu vestido, tu perfume.
Hoy soy capaz de odiar. Estoy ufano.
Ayer amé.

Qué extraños sentimientos son éstos
que nacen al despertar!

Escribo odiándome
y amando tu recuerdo.
Hago un último esfuerzo.
Tan joven era yo hace tres años?

De las tristes empresas de tua lágrimas,
yo labraría ilusiones en tus ojos.

[De la juventud, dolor y poesia (1967-1970)]

Antonio Nadal, Hojas Navegadas en la Noche, CEDMA, Málaga, 1999

2 comentários:

Cartas a Si disse...

Poema lindo! Não conhecia este autor. Gostaria muito de ler mais algumas palavras deste senhor, se me pudesse fazer a gentileza de colocar mais um poema no seu blogue, ficaria grata.

Espero que a espera pelas estantes dê mais frutos como este. :-)

Um abraço!

Xantipa disse...

Caríssima Cartas a si,
Ainda bem que gostou. O Antonio Nadal é uma pessoa muito especial, com uma forma de estar no mundo muito própria.
Irei pôr outro poema dele sim (tenho de seleccionar um que não seja muito longo).
:)
Um abraço