30 abril 2008

Carvalhal... e peras!

(a capa do livro)



Teresa Perdigão no uso da palavra.
(à mesa: presidente da Câmara do Bombarral, apresentador do livro, presidente do Núcleo, Agneta Bjorkman e presidente da Junta)

28 abril 2008

«E se, um dia, alguém se lembrar de o premiar?»


Com este título, o Filipe Tourais de O País do Burro, passou-me esta distinção. Gostei do argumento que apresentou para dar continuidade: «pode tornar menos fria a blogosfera e é uma forma de expressar o nosso reconhecimento pelo valor de outros que por aqui andam.»
Blogues de que gosto muito, não desfazendo todos os outros e retribuindo a O País do Burro: garden of philodemus bandeira ao vento memento funes, el memorioso não compreendo as mulheres Cartas do meu moinho Oxiclista Pisa-papéis Combustões

24 abril 2008

Onde vai estar no 25 de Abril?


Sugiro que vá à apresentação deste livro tão lindo, com imagens da Agneta Bjorkman e texto da Teresa Perdigão.

CARVALHAL … e peras! - Viagens por memórias e paisagens é um livro que nasceu da ideia da fotógrafa e artista plástica Agneta Bjorkman, que durante 12 anos residiu na freguesia do Carvalhal (Bombarral). A sua intenção foi deixar como herança à freguesia que a acolheu, uma obra que prevaleça no tempo. Convidou a antropóloga Teresa Perdigão para a acompanhar nas suas muitas viagens pelo sítio e para os imensos contactos com as pessoas, e para escrever os textos. Estas viagens decorreram ao longo das quatro estações do ano de 2007 que ilustram os quatro capítulos do livro.
(da informação à imprensa)

Este livro permite muitas leituras:

«Quem quiser usá-lo como roteiro turístico da freguesia, dele fará bom proveito: não faltam referências a restaurantes, cafés, locais de lazer domingueiros ou sazonais, actividades agrícolas, paisagens, gentes, músicas.
Quem quiser usá-lo para consulta histórica lerá com prazer a súmula dos proprietários da Torre, a história da banda ou a evolução dos moinhos.

Quem quiser conhecer as festas poderá saber quando são os círios, pedir pelo pão-por-Deus, dançar nas associações ou no Musicoeste.
Quem gostar do sabor da linguagem pode enriquecer aqui o seu vocabulário, ouvindo «deitar as loas» no altar, acompanhando o «arrelvamento» dos trevos, ou a «surriba», que revolve a terra.
Quem quiser encontrar valores humanos, muitos são os nomes que ali se destacam, desde os animadores das colectividades, aos cheios de espírito de iniciativa, que levaram à realização de sonhos, como a compra de um novo sino para uma Igreja.

(…)
E, entre tantas outras possibilidades, quem apenas pretender um momento de literatura, aqui o tem.

A escrita da Teresa está recheada de imagens, de figuras de estilo, dirão alguns. Consegue levar-nos a perceber o empenho de quem caiou a parede, quando nos leva a querer ver o «branco esmerado» da igreja; consegue descrever o orgulho dos quem têm as suas casas «mimadas»; consegue fazer-nos sentir o calor de um Verão que não acaba, numa «paisagem de Outono envergonhado»; consegue transmitir o brio da aldeia que se dá a ver «com vaidade e dignidade».
As imagens da Agneta mostram que tudo o que as palavras nos dizem sobre as cores da terra, das vinhas, das frutas, das casas, das pessoas, não é um exagero poético. E a concepção gráfica da Sandra, ao realçar as palavras e as imagens, tornou físicas estas sensações.
O Carvalhal é, de facto, uma terra… e peras!»
(do prefácio)

22 abril 2008

(Grand) Father Clock


Apercebi-me disto na última vez que estive em casa dos meus pais: associo o meu pai às badaladas deste relógio que está na casa de jantar.
Quando entrei estavam a dar as nove no relógio da igreja. Reconheci, no arrastar que precede cada toque, que o nosso se preparava para dar também as suas horas.
E logo pensei no meu pai.
Não sei com que regularidade, mas lembro-me bem de o ver a dar-lhe corda, com uma chavinha, que ainda hoje está ao lado do relógio, que encaixava naquelas rodelinhas que se vêem no mostrador, junto ao 4 e ao 8.
Depois, levantava-o ligeiramente de uns dos lados até se ouvir «clic», e o tic-tac, interrompido durante a tarefa, recomeçava.
Tic-tac, tic-tac.
Faria hoje 95 anos.
Há três que não dá corda ao relógio. Mas não há por que o lamentar (a não ser por uma egoísta saudade), pois viveu bem e longos anos.
Apetecia-me ligar-lhe a dar os parabéns.
O que vou fazer é ligar à minha linda sobrinha Joana, que faz hoje 25. Se eu for como o avô dela, ainda há-de receber chamadas minhas por mais 50 anos!

21 abril 2008

Precisa-se de dono!



Os cachorrinhos da Natacha fizeram ontem 3 semanas e estão bem gordinhos.
Como os dentitos já estão a nascer, ela não está a querer amamentá-los.
Preciso de os dar! São sete!! Sete!
Quem estiver interessado pode contactar-me.
Se for aqui no Algarve, podemos combinar e eu levo-os à nova casa.
Vão vistos e tratadinhos pelo veterinário.

20 abril 2008

algarvismos e não só

Enviaram-me isto por mail. Não resisto a publicar aqui.
Novo Dicionário e Acordo Ortográfico com variante alentejana e algarvia:


Alevantar
O acto de levantar mas com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.

Amandar
O acto de atirar com força:
'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'

Arrelampa
Local com inclinação acentuada.

Ex: 'Moss, bora lá empurrar o barque aqui pla arrelampa'

Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.

Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.

Bassora

Também com a vertente 'vassoira'.
Utensilio de limpeza de lixo.

Normalmente tem a ajuda da 'apá' para a recolha do dito cujo.

Batoneira

Máquina que serve pra fazer betão, cimento.

Ex: 'Moss, liga a batoneira'

Capom
Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!

Catatumbas

Sitio pra onde se pode ir depois de morto.
Ex: 'Ê cá nã quere ir pra uma catatumba quere ir pró chão'

Cromade

Opção que se exerce em vida pra quando se morre.
Ex: 'Ê cande morrer quere ser cromade'


Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.

Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.

Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas..

Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.

Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular.

Ex.: eu falei,

tu falaste,

ele falou,

TU FALASTES..

Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.
Casa que não fractura... não perdura.

Há-des
Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular:

'Eu hei-de cá vir um dia;

tu há-des cá vir um dia....'

Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto.

E digo mais:

eu, inclusiver, acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'.

Mô (Moss)
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'.

Ex.: Atão mô, tudo bem? ou 'Moss, deslarga-me da mão'

Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.
Para quê perder tempo, não é?

Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.

Númaro
Também com a vertente 'númbaro'.

Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!

Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.

Perssunal
O contrário de amador.

Muito utilizado por jogadores de futebol.

Ex.: 'Sou perssunal de futebol'.

Dica: deve ser articulada de forma rápida.

Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'(ou alcagoita).

Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.

Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais....
Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.

Stander
Local de venda.

A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis.
O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...

Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa.

Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo.
É assim... tipo, tás a ver?

Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

Tiosque
Sitio onde se pode comprar jornais, revistas, pitaxios, etc.

19 abril 2008

pouca coisa é de agora/coisa pouca é de agora

Não sei se já está resolvida a compra, por parte do estado, da colecção Jorge de Brito, que a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva se arrisca a perder (ler mais aqui).
Muito foi o tempo que esteve até se decidir a comprar o acervo de fado de Bruce Bastin (ler notícia de 2005 e notícia de 2008).
Já para não falar no apoio que os artistas não têm cá dentro até que lá fora lhe dêem valor.

Isto não é de agora, como sabemos. Não foi por acaso que Mecenas se tornou num substantivo comum (do homem que patrocinou artistas no tempo de Augusto a "aquele que patrocina artistas").
Ontem lia em Mário de Sá Carneiro, Loucura, (p.53 na edição da Ulmeiro) «O governo português, sempre predisposto a inúteis prodigalidades, não teve alma para desembolsar os setenta contos que o seu anterior proprietário exigira por essa maravilha de arte nacional».

Infelizmente, pouca coisa é de agora e coisa pouca também.

18 abril 2008

O Senhor Valéry

Hoje, às 21.30, na Biblioteca Municipal de Albufeira, a minha querida colega e amiga Ana Isabel Soares vai apresentar o livro O Senhor Valéry, integrado no Ciclo de Leituras sobre Gonçalo M. Tavares. Nesta sessão é distribuído o livro a ser apresentado no mês que vem (por mim), Jerusalém, e em Junho teremos a presença do autor.
Apareçam! Eu lá estarei!

Actualização:
o livro de 16 de Maio vai ser Água, Cão, Cavalo, Cabeça, porque a editora não tinha exemplares suficientes para as necessidades da Câmara.

As quatro Graças

(Rubens)

São quatro as Graças, porque às três antigas
se juntou há pouco uma outra, ainda húmida de perfumes:
a feliz Berenice, brilhante entre todas,
sem a qual as próprias Graças não seriam Graças.
Calímaco
305- 240 a.C. (datas aproximadas)
Tradução do grego de Albano Martins. Ver aqui.

17 abril 2008

vencer a doença

Antes de dizer-te como é que me consolava da doença, dir-te-ei apenas isto: o próprio facto de me resignar a estar doente já me servia de remédio. De facto, formas dignas de consolação acabam por tornar-se medicamentos; e tudo quanto nos fortalece a alma transforma-se em benefício para o corpo. Os meus estudos restituíram-me a saúde. É à filosofia que devo a minha convalescença, a minha recuperação (...).
Também contribuíram para eu recuperar a saúde os meus amigos: nos seus conselhos, na sua companhia, na sua conversa encontrei uma grande consolação.

Séneca, Cartas a Lucílio, 78, 3-4. Tradução de J.A. Segurado Campos para a FCG.

16 abril 2008

Ele é um corpo em presença de outros corpos

Carolina Rito (que eu conheci pequenina e agora já faz estas coisas!) é a curadora desta exposição que inaugura dia 19, às 16h, no jardim Botânico, e que permanece até 18 de Maio.
Artistas representados: Cláudio Sousa; Luís Simões e Rita Manuel; Nelson Melo; Spada Corp; Tiago Neto.

14 abril 2008

«estudar» ao piano e outros divertimentos

A minha mãe contou-me umas das suas histórias de infância. Falávamos do nosso piano. Ela nunca soube cantar nem tocar. Sempre o disse e todos sempre o soubemos. Por isso me surpreendi quando me começou a dizer:
- Eu às vezes também me sentava ao piano a estudar.
- A estudar ao piano? A Mãe?
- Sim, sentava-me a estudar. A avó tinha um cavalo grande, em cima do piano e eu ficava ali a estudar o modo de o tirar de lá e de o montar. Teria aí uns cinco anos. Estudei, estudei e lá descobri como subir para o piano, tirar de lá o cavalo e montá-lo.
- E depois?
- Montei-o e ele partiu-se todo. E depois apanhei.
- Os cacos?
- Apanhei da minha mãe. Ela gostava muito daquele cavalo. Mas as crianças são assim. Sempre a estudar maneiras para se distrairem. Eu passava os dias sozinha com a criada, tinha de arranjar alguma coisa para não me aborrecer. Às vezes passava tardes a penteá-la. Ela sentava-se eu penteava-a, penteava-a. Vocês agora têm uma vida melhor, mas a nossa teria, talvez, mais peripécias. Já te contei aquela do tio João e do médico? Parece mesmo uma anedota.
E o serão continuou.

(* Estas histórias que aqui conto da minha mãe são publicadas com o seu consentimento.)