18 outubro 2008

Tragédia hip hop

(imagem daqui)

Ontem fiz uma viagem a ouvir hip hop, género que não conheço bem. Como a ignorância tem limites, fui informar-me e percebi que, afinal, conhecia os grupos e as canções, mas não os associava. Pensava que era tudo rap, como a maioria dos desinformados (que foi o eufemismo com que me trataram na wikipédia: «os mais desinformados costumam adotar os dois termos como sinônimos», se bem que a própria wikipédia, em inglês, diz assim: «Hip hop music, also referred to as rap music, is a music gente typically consisting of a rhythmic vocal style called rap which is accompanied with backing beats»).

(imagem daqui)

Foi no meu correio electrónico, numa antiga mensagem de Fevereiro, que encontrei
referência a uma versão hip hop californiana da tragédia Os Sete contra Tebas, de Ésquilo. O site da peça resume: Greek tragedy meets hip-hop in this new telling of a cursed family and society unsure of how to free itself from war. e na notícia do NCTimes, começamos por ler:

In ancient Greek tragedy, the Theban king Oedipus unwittingly fulfills an oracle's prophecy by killing his father and marrying his mother, which "kinda grossed everybody out, y'know"? And when Oedipus' two sons, Eteocles and Polynices, banished their father out of shame, he avenged his honor by "puttin' a curse on their ass."

Se estivesse por cá, iria vê-la.

4 comentários:

ana v. disse...

Os Sete contra Tebas?

Querida Xantipa, nas actuais circunstâncias só posso dizer: na mouche! ;-)
(falo da mais recente tragédia grega na blogosfera, claro)
Um beijo

Rui disse...

Este post faz justiça, se isso não fosse já uma evidência, ao seu texto de apresentação:

"Sou uma classicista entusiasta de muitos outros saberes..." Outros e surpreendentes! Bjs

js disse...

não tarda estás a dançar hip-hop :)

Anónimo disse...

O rap é mais sincopado, mais "falado", mais "street". Nasceu nos bairros negros de Nova Iorque, onde os miúdos, à falta de dinheiro para discotecas, se reuniam no parque com dois gira-discos e misturavam sons electrónicos dos insuspeitos Kraftwerk (rock electrónico alemão)e cantavam/falavam por cima, numa técnica chamada "dub", nascida na Jamaica nos anos 60 pela mão do reggaeman U-Roy a.k.a. The Originator. Os temas de rap são mais directos, contestatários, e reflectem a dureza da vida nas ruas, e, mais recentemente, o "gangsta way of life" (lamentavelmente).

O hip-hop é mais aberto a influências, ao experimentalismo e aos ritmos dançantes. Snoop Dogg é um dos nomes sonantes do género. Em Portugal, os Da Weasel compuseram uma obra-prima chamada "Toda a Gente" que ilustra bem o que é o hip-hop.

A distância entre o que é e o que não é clássico é muito discutível. Os temas clássicos repetem-se, sob diferentes aparências.

Mercúrio