15 outubro 2008

vestir o coração


Vulpes – Commodius fecisses, inquit, si eadem hora me revisisses. Nam si vel quarta postmeridiana hora venies, a tertia beata esse incipiam. Quo magis haec cedet, eo beatior esse mihi videbor. Quarta moveri ac sollicitari jam incipiam; sic quanti sit vita beata reperiam. At si tempore quovis venies, nunquam sciam quota hora me animo tanquam decorum vestitum induere oporteat. Sollemnia quaedam constitui opus est.
Regulus – Quid est sollemne quiddam?
Vulpes – Hoc quoque nimis obsolevit. Propter hoc dies quidam a ceteris diebus differt et hora quaedam a ceteris horis.

(versão latina de Augusto Haury que saiu na Harvest Book em 1985 , tendo sido editada pela primeira vez por outra editora em 1961)

Este Regulus não me convence muito... prefiro a versão francesa e a portuguesa (a da Alice Gomes) de O Principezinho:

- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, às três já eu começo a ser feliz. À medida que o tempo avançar, mais feliz me sentirei. Às quatro horas já começarei a agitar-me e a inquietar-me; descobrirei o preço da felicidade. Mas se vieres a uma hora qualquer, eu nunca posso saber a que horas hei-de vestir o meu coração... São precisos ritos.

- O que é um rito?

- É também qualquer coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias, uma hora diferente das outras horas.

6 comentários:

Once disse...

"vestir o coração" .. algo que por vezes nos esquecemos de fazer .. isso e senti-lo :)

Beijinho *

Gi disse...

"O Principezinho" é das coisas mais bonitas que já li.

Cartas a Si disse...

O PRINCIPEZINHO é um livro maravilhoso, cheio de lições para miúdos e graúdos. Recomendo-o a todos.

Abraço

Méon, disse...

Ah! Que bom!
Visitar "O Princepezinho" de vez em quando...
Limpa as gorduras da alma...

Beijinho!

Xantipa disse...

Once, Gi, Cartas a Si, Méon,

Gosto muito de O Principezinho, mas a versão latina não me convenceu muito. Em Latim, acho que resulta com mais graça o Harrius Potter...
:)

Rui disse...

Tem tanta razão Saint-Exupéry (e a raposa)! Sim, porque o afecto não nasce nem se alimenta só do encontro: ele constrói-se também na preparação ("vestir o meu coração") para esse encontro...
Ver o mesmo trecho em latim é uma experiência estranha.