12 outubro 2008

Por que tem sempre de doer?


Tal foi o desejo de amor, que me cobriu o coração

e cerrada treva derramou sobre meus olhos,
arrebatando do meu peito as débeis forças.
(Frg. 191)

Miserável, jazo atolado no desejo,
inânime, e penosas dores, por vontade dos deuses,
me percorrem os ossos.
(Frg. 193)

Arquíloco, daqui.

2 comentários:

Rui disse...

É curioso, Adriana, como as palavras traduzem uma situação de extremo desgaste e miséria mas, no entanto, sinto que Arquíloco ao escrevê-las estava bem de pé (não jacente) e nada débil. Suspeito, mas não tenho a certeza, que há aqui uma ironia forte com a qual não consigo de deixar de simpatizar e que me faz sorrir.

Xantipa disse...

Está mais perto da verdade do que imagina!
Pelo resto dos fragmentos (que aqui não pus) pode deduzir-se que o poeta está, provavelmente arrependido de ter casado.
:)
Bj